Estudo vai avaliar qualidade da água do Rio Anhanduí com avanço da rede de esgoto
11:00 03/05/2024

Última pesquisa foi realizada entre 2010 e 2011; agora, o novo levantamento será realizado pela Águas Guariroba
Acordo assinado entre o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e a Àguas Guariroba visa realizar estudo para descobrir como está a qualidade da àgua no Rio Anhanduí, em Campo Grande. A ideia é identificar se o aumento da rede de esgoto na Capital trouxe melhoras também para a rede fluvial da cidade.
De acordo com a publicação no Diário Oficial do Estado (DOE), os estudos mais recentes da bacia hidrográfica do Rio Anhanduí foram elaborados entre os anos de 2010 e 2011 “e culminaram na Resolução CERH/MS n. 018/2012”.
Por este motivo, o documento aponta que as informações disponíveis estão com uma defasagem de quase 13 anos e neste tempo muitas coisas mudaram na cidade e impactaram na dinâmica de ocupação da bacia.
Entre elas são destadas: o aumento de aproximadamente 15% da população (incremento de 111.141 habitantes), conforme dados do Censo IBGE de 2010 (786.797 habitante) e 2022 (897.938 habitante); expansão do sistema de tratamento de esgoto sanitário de cerca de 60% (2010) para 88% (2021), passando a atender uma população adicional 67% (incremento de 317.139 habitante); e redução significativa da área de infiltração da bacia hidrográfica e, por consequência, aumento da poluição difusa em decorrência da expansão da área urbana do município de cerca de 45% (incremento de 87 km²) em 2010 eram 190km² e 2021 chegou a 277 km².
“Face a estas e as diversas outras mudanças que ocorreram na bacia hidrográfica do Rio Anhanduí é evidente a necessidade de levantamento de dados primários e secundários, seguidos de estudos que os sistematizem, interpretem, balizem discussões técnicas e controle social, bem como tomadas de decisões sólidas por parte dos gestores”, diz trecho da publicação.
Atualmente, segundo a Águas Guariroba, o esgotamento em Campo Grande já chegou ao 90% na cidade, o que pode ter ainda mais reflexo no rio.
“A cobertura da rede de coleta e tratamento de esgoto na Capital está em 90%, o que provavelmente refletiu na melhora da qualidade da água do rio. Durante 24 meses, o estudo irá analisar diferentes parâmetros em toda a porção urbana da bacia do rio. O resultados serão divulgados ao Imasul, responsável pela gestão do rio”, diz a concessionária em nota.
O termo que fimou o estudo, de responsabilidade da concessionária responsável pelo abastecimento e tratamento de água na Capital, tem vigência de 48 meses, podendo ter seu prazo prorrogado por igual período.
Entre os serviços que deverão ser realizados estão: o diagnóstico da microbacia; prognóstico de cenários futuros; a revisão, caso necessário, da Resolução CERH/MS n. 018/2012; a realização de todas as exposições e debates necessários em todo o processo de análise e deliberação em relação ao conteúdo produzido; entre outros.
Para a realização do estudo, conforme o termo de cooperação, será montato um Plano de Trabalho “o que deverá ser formulado e validado entre as partes em até 30 dias contados da respectiva publicação deste”.
Além de produzir o estudo, os custos o mesmo também serão de responsabilidade da Águas Guariroba.
“É fundamental promover entendimento da relação entre as variáveis incidentes, os quais se alteram continuamente em corpos de água inseridos no contexto urbano” – Trecho do documento.
RIO ANHANDUÍ
O Rio Anhanduí é o principal curso d’água de Campo Grande, sendo afluente do Rio Pardo, que por sua vez, é afluente do Rio Paraná. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os principais contribuintes da microbacia, na área urbana de Campo Grande são os córregos Segredo, Prosa, Bandeira e Lageado.
O rio nasce no Centro de Campo Grande, na confluência dos córregos Segredo e Prosa, percorrendo em direção à região sul da Capital.
Seu curso é margeado pelas duas mãos da Avenida Ernesto Geisel, importante via de acesso de Campo Grande.
Neste percurso, passa por diversos bairros, alguns de classe baixa da Capital. Neste trajeto, há vários pontos de erosão.
Outro problema comum no curso do rio é a sujeiro, já que em alguns pontos é fácil de encontrar sacolas de lixo e até materiais que deveriam ter sido descartados em local adequado.
HISTÓRIA
Segundo pesquida da professora Ângela González Rodrigues, de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, para explicar que Inhanduhy significa na língua guarani: água onde se encontra seriema pequena.
Conforme o Instituto Histório e Geográfico de Mato Grosso do Sul, o rio Anhanduí foi integrante da Rota da Vacaria dos monçoeiros. Naquela época, os registros do início do século 18 grafavam Inhanduhy, que, com o tempo, “talvez por assimilação fonética”, agora chama-se Anhanduí.
“Era conhecido como Guaçu, ou Açu, porque, no tempo dos monçoeiros, havia o Anhanduí-Mirim, que hoje é chamado de ribeirão das Botas”, completa o instituto.
Via Correio do Estado MS





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