Brasil

Copom deve manter Selic em 15%, e mercado espera sinal sobre corte em 2026

Circuito MS

8:16 04/11/2025

Apesar do recente recuo das expectativas, previsões para a inflação seguem fora da meta de 3% perseguida pelo BC

A penúltima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central), que começa nesta terça-feira (4) e termina na quarta (5), deve manter a taxa básica de juros inalterada em 15%. Agora, o mercado volta suas atenções para o comunicado oficial, em busca de sinais sobre quando poderá começar o ciclo de cortes da Selic.

Especialistas ouvidos pelo CNN Money apontam que o cenário da economia brasileira tem mostrado sinais de melhora. Pela sexta semana consecutiva, o Boletim Focus reduziu a projeção de inflação, atualmente em 4,55% para o fim de 2025.

As expectativas para horizontes mais longos também recuaram, embora ainda estejam acima da meta estabelecida de 3%, com margem de 1,5 ponto para cima ou para baixo.

Além disso, o ambiente externo está menos incerto, especialmente em relação à política econômica dos Estados Unidos.

Os dados mais recentes confirmam a desaceleração da economia brasileira, a perda de tração do crédito e um cenário de desinflação em andamento, sustentado pela valorização cambial, estabilidade das commodities, queda nos preços de alimentos e desaceleração dos custos de produção.

Apesar das melhoras, especialistas acreditam que o BC manterá a Selic em 15% até o fim do ano como estratégia diante das condições atuais, ainda marcadas por um mercado de trabalho resiliente, consumo elevado e pressão sobre os preços de serviços.

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, ainda cita que a manutenção da política monetária em patamar elevado tem sido fundamental para consolidar o processo de transição da economia brasileira.

“Essa estratégia deve resultar, até o fim do ano, em uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica, favorecendo uma maior ancoragem das expectativas e a consolidação da trajetória de desinflação — pilares essenciais para que o Banco Central possa, no futuro, avaliar uma redução sustentável dos juros”.

Na mesma direção, Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, cita que as expectativas continuam desancoradas, justificando a continuidade de uma política monetária mais apertada.

“O Comitê deve justificar a manutenção da taxa de juros diante do cenário marcado por desancoragem das expectativas de inflação, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho, o que exige uma política monetária contracionista”, cita Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank.

Via CNN Brasil

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