De olho em juros mais baixos, Ibovespa deve seguir subindo, dizem analistas
9:20 06/12/2025

Desaceleração do PIB aumentou expectativas de juros mais baixos em 2026
Nesta quinta-feira (4), o principal índice da bolsa brasileira voltou a renovar recorde pelo terceiro dia seguido, após fechar em alta de 1,67%, aos 164.455,61 pontos.
O movimento dos investidores é, geralmente, de precificar um evento futuro e montar suas posições se antecipando a ele. Segundo especialistas ouvidos pelo CNN Money, o mercado já começa a preparar terreno para uma vindoura queda de juros no Brasil e nos Estados Unidos.
Dados da atividade econômica e do mercado de trabalho em ambos os países começam a sinalizar uma desaceleração, que tende a tirar a pressão que empurra a alta dos preços. A desaceleração do PIB (Produto Interno Brasileiro) foi o que alimentou as expectativas nesta quinta.
“Os resultados do PIB de hoje reforçaram a expectativa de início de corte de juros em breve”, ressalta Rodolfo Margato, economista da XP, que reconhece que o cenário inclina para a redução das taxas começar já em janeiro, apesar da casa apostar em baixa para o mês de março.
Definidora dos juros básicos do país, a taxa Selic é a ferramenta que o BC (Banco Central) possui para controlar a inflação. Com juros mais altos, o custo para tomada de crédito sobe, contendo o consumo e, consequentemente, a pressão sobre a demanda e a alta dos preços.
“Esses resultados talvez tornem o discurso do Comitê [de Política Monetária, o Copom] um pouco mais brando”, pondera Juliana Inhasz, professora de economia do Insper.
Com juros mais elevados, os investidores tendem a se voltar à segurança dos títulos de renda fixa. “A desaceleração em curso faz com que os investidores precifiquem que no primeiro semestre comece os cortes, aí o dinheiro represado na renda fixa começa a migrar para a renda variável”, explica Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora.
Para José Faria Junior, CEO da Wagner Investimentos, “o Ibovespa está tendo um desempenho muito interessante” em 2025. Ele destaca ainda outros fatores que apoiam a bolsa como:
- A queda dos juros reais – a taxa descontada da inflação;
- Empresas antecipando pagamento de proventos, o que gera fluxo de investimentos;
- O valor de mercado da bolsa ainda estar mais barato do que o potencial que lhe é atribuído;.
“Há uma rotação de aplicação de bolsa dos Estados Unidos para outros países, e todo dinheiro que entra nos emergentes é muito”, pontua.
Para Inhasz, a Selic ainda deve fechar esse ano em 15%, devido a incertezas que ainda estão no radar, como o cenário fiscal.
Já Mollo ressalta apontando para a volatilidade que as eleições devem trazer ao cenário. Ainda assim, ele não acredita que isso “vá impedir a tendência de alta [do Ibovespa]. Conforme a taxa de juros vai caindo, o custo de capital das empresas cai também”.
Via CNN Brasil




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