Desenvolvimento

Empresas firmam parceria para explorar mega usinas de energia solar em MS

Circuito MS

15:12 19/02/2026

Parque solar será instalado até o fim de 2027, com investimento de R$ 5,12 bilhões e potencial para suprir 63% do consumo de energia renovável no Estado

A Casa dos Ventos, referência em energias renováveis, e a química Unipar, que formarão um consórcio para exploração de um parque solar em Mato Grosso do Sul, anunciaram, nessa quarta-feira (18), a celebração de um contrato para autoprodução de energia renovável.

Conforme reportagem do Correio do Estado, serão implantadas três mega usinas de energia solar no Estado. Com investimento de R$ 5,12 bilhões, o parque solar terá, ao todo, 640 MW de capacidade, potencial para suprir 63% do consumo atual de Mato Grosso do Sul.

Conforme o anúncio dessa quarta, a parceria, inicialmente, tem duração de 15 anos. A Unipar receberá 33 megawatts médios (MWmed) a partir de 2028, mantendo sua operação com 100% de energia renovável.

Deste total, 80% da energia usada pela petroquímica são oriundos de projetos desta modalidade, na qual grandes consumidores de eletricidade se tornam sócios em uma usina e, com isso, obtêm benefícios via menor pagamento de encargos. Os outros 20% são adquiridos no mercado livre de energia em contratos de longo prazo.

O negócio é o primeiro entre as duas empresas e formalmente, se dará por meio da aquisição da Unipar Indupa de participação societária equivalente a 9,8% do capital total da Ventos de São Norberto Energias Renováveis, da Casa dos Ventos, conforme a química informou em fato relevante.

A Unipar já participa de arranjos do tipo em dois complexos eólicos, sendo Cajuína, no Rio Grande do Norte, e Tucano, na Bahia , e em outro empreendimento solar em Pirapora, em Minas Gerais. A capacidade instalada conjunta desses três parques atinge 485 MW, dos quais 159 megawatts médios são destinados às operações da Unipar no Brasil.

Ainda no fato relevante, a Unipar afirmou que o negócio, que se confirmará após o cumprimento de condições precedentes, contribuirá “para ganhos de eficiência energética, maior previsibilidade operacional e avanço consistente da estratégia de descarbonização do Grupo Unipar, aumentando a competitividade da companhia em decorrência dos benefícios relacionados à autoprodução de energia por equiparação”.

Já o diretor executivo da Casa dos Ventos, Lucas Araripe, avalia que a Unipar já é uma companhia sofisticada do ponto de vista de suprimento energético e que a entrada da geradora no portfólio é “muito importante” dado este histórico.

Ele afirma ainda que a construção do parque em Mato Grosso do Sul, que é objeto da parceria, está dentro de um conjunto de projetos que a empresa quer entregar até 2028 e soma dois gigawatts (GW) de capacidade. A lista inclui, além da usina no Mato Grosso do Sul, outros dois empreendimentos eólicos, um de 630 MW no Ceará, e outro de 830 MW no Piauí.

“A gente acredita que a autoprodução deve continuar sendo uma maneira interessante para as companhias reduzirem o custo final de energia seja via equiparação, que ficará mais restrita aos grandes consumidores e para quem tem disponibilidade de investir muito capital, seja via arrendamento, para os menores, com os quais também temos trabalhado”, disse ao Estadão.

Mega usinas de energia solar
A implantação das usinas será em parceria com a Casa dos Ventos, referência em energias renováveis, e acontecerá simultaneamente em Campo Grande, Paranaíba e Paraíso das Águas, sendo que as duas primeiras unidades entram em operação em junho e julho do ano que vem e a terceira, em setembro de 2027.

Conforme reportagem do Correio do Estado de novembro do ano passado, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) informou que, com as inaugurações, Mato Grosso do Sul passará a figurar entre os 10 maiores geradores de energia solar do Brasil.

“Sozinhas, essas três usinas da Casa dos Ventos farão aumentar em 45% a potência instalada do Estado e representa um crescimento de 8% em nível de Brasil”, destacou o secretário da Pasta, Jaime Verruck, na ocasião.

“Mato Grosso do Sul tem uma carteira de R$ 105 bilhões em investimentos privados em fase de implantação e planejamento. A oferta de energia é um dos requisitos fundamentais que os empresários procuram antes de investir. Portanto, esse projeto se insere perfeitamente no plano de desenvolvimento que o Governo traça para o Estado”, acrescentou o secretário, também na época.

Mato Grosso do Sul já é líder nacional na produção de energia a partir da biomassa da cana-de-açúcar e florestas plantadas e o investimento da Casa dos Ventos consolida a geração de energia solar, tornando o Estado referência também nesse segmento.

“Estamos falando de um incremento importante na matriz elétrica do Estado, o que acelera a transição energética brasileira. Contribuímos com esse movimento a partir de um portfólio robusto e buscando sempre o desenvolvimento do País”, afirma Thiago Rezende, Diretor de Implantação e Operação da Casa dos Ventos.

Usinas
A usina Rio Brilhante está sendo implantada na região sul do município de Campo Grande, próximo à divisa com Nova Alvorada do Sul, em uma área de 1.100 hectares com 1.105.920 módulos instalados e capacidade de 491 MW.

O Projeto Solar Seriemas ocupa 940 hectares no município de Paranaíba, e terá instalados 889.200 módulos com capacidade de 400 MW.

Já o Projeto Solar Paraíso, em área de 1.250 hectares de Paraíso das Águas, receberá 1.252.800 módulos com potência instalada de 640 MW.

Juntos, os três projetos empregarão mais de 4 mil trabalhadores no pico durante a fase de construção.

Todos os projetos foram licenciados pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e destinaram mais de R$ 25 milhões em compensação ambiental, além de adotarem todas as medidas necessárias para mitigação, conforme a Semadesc.

Via Correio do Estado MS

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