Campo Grande

Capital entra no mapa mundial da sustentabilidade com realização da COP15

Capital entra no mapa mundial da sustentabilidade com realização da COP15

Campo Grande se prepara para receber delegações de mais de 130 países e entrar definitivamente no mapa dos grandes eventos ambientais do mundo. Entre os dias 23 e 29 de março de 2026, a Capital sul-mato-grossense será sede da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Selvagens (COP15/CMS), conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) que deve reunir cerca de 3 mil participantes e impulsionar a economia local.

Pela primeira vez, um evento da ONU voltado exclusivamente à conservação da vida silvestre será realizado na região, projetando Campo Grande internacionalmente como destino alinhado à sustentabilidade e ao turismo de negócios. Com o slogan “Conectando a natureza para sustentar a vida”, a COP15 deve reunir representantes governamentais, pesquisadores, organizações ambientais e especialistas em desenvolvimento sustentável.

A estrutura da conferência já está praticamente definida. A chamada Blue Zone, espaço oficial das delegações internacionais e das negociações diplomáticas, será instalada no Bosque Expo. As demais atividades ocorrerão no Bioparque Pantanal e na Casa do Homem Pantaneiro, ambos no Parque das Nações Indígenas, além do Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, localizado no Parque dos Poderes.

Além da relevância ambiental, o evento deve gerar impacto direto na economia da Capital, principalmente no setor de serviços. Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades), Ademar Silva Júnior, a expectativa é de aumento na demanda por hotelaria, alimentação e transporte urbano.

“A equipe da Semades, em conjunto com outras secretarias, mantém diálogo com o setor hoteleiro e gastronômico para garantir estrutura adequada às delegações estrangeiras”, afirmou.

Atualmente, a taxa média de ocupação hoteleira em Campo Grande varia entre 52% e 56%, com média mensal de aproximadamente 54%. O índice costuma crescer apenas em períodos de grandes eventos, e a expectativa é que a conferência eleve significativamente esse percentual, com dados consolidados após levantamento realizado junto aos estabelecimentos.

Fortalecimento da economia local

A presença estimada de 3 mil participantes representa potencial expressivo de circulação financeira. Considerando gasto médio diário de R$ 684 por turista — incluindo hospedagem, alimentação e transporte —, o evento deve movimentar diversos segmentos da economia urbana.

Hotéis, bares, restaurantes, cafeterias, motoristas de táxi e aplicativos, além de micro e pequenos empreendedores, devem registrar aumento no movimento. O impacto também alcança fornecedores, comércio e prestadores de serviços, ampliando a geração de renda direta e indireta.

A realização de uma conferência global da ONU reforça ainda a imagem de Campo Grande como cidade preparada para sediar eventos internacionais. A Capital já recebeu seis vezes o reconhecimento Tree City of the World, título concedido a cidades que se destacam em políticas ambientais urbanas.

Para o gerente de Turismo, Wantuyr Tartari, o momento representa um divisor de águas para o setor. “A realização da COP15 em Campo Grande representa um marco histórico para o turismo da nossa Capital. Além de projetar o município internacionalmente, fortalece nossa vocação para o turismo de negócios e eventos”, destacou.

Com a visibilidade internacional, a expectativa é ampliar a presença da cidade no calendário de congressos, encontros técnicos e feiras, consolidando Campo Grande como polo regional do turismo de eventos.

Capacitação e legado duradouro

Como parte da preparação para a conferência, a Semades tem promovido capacitações voltadas a profissionais da hotelaria e de atrativos turísticos. A iniciativa busca qualificar o atendimento e transformar trabalhadores do setor em multiplicadores de informações sobre a cidade e sua cultura.

Entre os resultados esperados após a COP15 estão a ampliação da ocupação hoteleira, fortalecimento dos serviços de alimentação e logística, maior visibilidade internacional para produtos culturais locais e a consolidação de Campo Grande no circuito nacional e internacional de eventos.

Mais do que sediar uma conferência ambiental, a cidade aposta no legado econômico, turístico e institucional deixado pelo encontro, visto como oportunidade estratégica para impulsionar o desenvolvimento sustentável e posicionar a Capital em um cenário global cada vez mais voltado à preservação ambiental e à economia verde.

Via Enfoque MS

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