Avanço semanal de 6,36 pontos percentuais não foi suficiente para superar a média histórica de 11% dos últimos cinco anos
O plantio de soja em Mato Grosso atingiu 10,23% da área total projetada até a última sexta-feira, com um avanço semanal de 6,36 pontos percentuais, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Apesar do progresso registrado, o ritmo dos trabalhos ainda se mantém abaixo da média histórica dos últimos cinco anos, que é de 11%.
De acordo com as informações divulgadas, os produtores aguardam chuvas mais volumosas para acelerar o ritmo do plantio na região, principal estado produtor de soja do Brasil. A expectativa por precipitações mais intensas é apontada como um dos fatores centrais para o atraso verificado neste início de safra.
O resultado das eleições legislativas indicou que o agronegócio permanece entre as forças políticas mais organizadas do Congresso. A Frente Parlamentar da Agropecuária reunia cerca de 300 parlamentares antes do pleito, e mais de 75% dos integrantes disputaram a reeleição. O resultado preservou parte importante desse núcleo na Câmara e ampliou a presença de nomes no Senado.
Os primeiros grandes testes para a bancada devem incluir temas como orçamento, plano safra, seguro rural, crédito e renegociação de dívidas rurais, todos dependentes de negociação política. Questões como marco temporal, licenciamento ambiental e regularização fundiária também devem entrar na pauta. Francisco Maturro, da Associação Brasileira do Agronegócio, destacou a urgência de políticas voltadas à armazenagem e à logística. “Nós temos um déficit de armazenagem hoje no Brasil que chega a 150 milhões de toneladas. Isso é gravíssimo para um país que não consegue armazenar o que produz”, afirmou. Segundo ele, a consequência direta é a queda nos preços no momento da colheita, já que os produtores são obrigados a vender pelo valor que lhes é oferecido.
Chuvas excessivas prejudicam cana-de-açúcar e portos
No Sudeste, chuvas acima da média têm prejudicado as operações nas usinas e os embarques nos portos. Segundo a consultoria Tagro, a média semanal de moagem de cana-de-açúcar por usina no Centro-Sul caiu para cerca de 76 mil toneladas na última semana de setembro, ante mais de 100 mil toneladas registradas no início de agosto.
A consultoria estima que aproximadamente 35 milhões de toneladas de cana devem ficar no campo sem ser processadas, sendo moídas somente no ano seguinte, por volta de março. O inverno recém-encerrado foi apontado como o mais chuvoso em 100 anos na região açucareira de Piracicaba, conforme dados da Estação de Monitoramento da USP. As operações portuárias também foram impactadas: no Porto de Santos, os trabalhos foram interrompidos por pelo menos 35 dias entre julho e setembro, enquanto o Porto de Paranaguá registrou 30 dias de interrupções no mesmo período.
Via CNN Brasil