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Após nova revisão, fábrica de fertilizantes da Petrobras em MS só deve operar em 2029

Após nova revisão, fábrica de fertilizantes da Petrobras em MS só deve operar em 2029

UFN-3 permanece central na estratégia da estatal, que prevê US$ 109 bilhões em investimentos e mais rigor na aprovação de projetos

A Petrobras adiou para 2029 a conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN-3), em Três Lagoas (MS). O novo prazo foi divulgado nesta sexta-feira (28), durante a apresentação do Plano de Negócios 2026–2030, e representa mais um atraso em um empreendimento considerado estratégico para o agronegócio brasileiro.

No gráfico oficial exibido pela estatal, a UFN-3 aparece agora no bloco de projetos previstos para entrega em 2029. O cronograma anterior, divulgado em 2024, indicava início das operações em 2028. Esta é a primeira revisão desde que o projeto voltou à carteira de implantação, após quase uma década de paralisação.

A unidade está hibernada desde 2015 e passou por uma reavaliação econômica iniciada em 2023, após o retorno da Petrobras ao setor de fertilizantes. A conclusão das obras está orçada em cerca de R$ 3,5 bilhões.

Investimentos e prioridades do novo plano

O Plano de Negócios prevê investimentos de R$ 15,8 bilhões nas áreas de refino, transporte, petroquímica e fertilizantes. A UFN-3 continua sendo o principal projeto da companhia nesse segmento. Para as demais unidades — Fafen-BA, Fafen-SE e Araucária Nitrogenados (ANSA) — o foco será manter a operação, sem previsão de novos aportes até 2030.

Durante a apresentação, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou que o planejamento prevê US$ 109 bilhões em investimentos totais nos próximos anos. “Os projetos têm potencial de gerar e sustentar 311 mil empregos diretos e indiretos e contribuir com R$ 1,4 trilhão em tributos nos próximos cinco anos”, disse.

Segundo a estatal, o adiamento ocorre em um cenário de preços menores do petróleo e maior rigor na aprovação de novos projetos, dentro da política de disciplina de capital e corte de gastos.

Após nova revisão, fábrica de fertilizantes da Petrobras em MS só deve operar em 2029
Plano de negócios anunciado pela estatal (Foto: Reprodução)

Importância da UFN-3

A UFN-3 é considerada essencial para reduzir a dependência do Brasil de importações de ureia e amônia. Quando concluída, a fábrica terá capacidade anual de produzir 1,2 milhão de toneladas de ureia e 70 mil toneladas de amônia, atendendo principalmente produtores de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo — regiões com alta demanda por fertilizantes nitrogenados.

A ureia é o fertilizante nitrogenado mais usado no país, com demanda próxima de 7 milhões de toneladas em 2024, quase totalmente abastecida por importações. O produto também tem aplicação na pecuária como suplemento para ruminantes.

Obra parada desde 2014

A construção da UFN-3 começou em 2011 e foi interrompida em dezembro de 2014, após a Petrobras rescindir o contrato com o consórcio responsável, alegando descumprimento contratual. Desde então, o projeto enfrentou tentativas frustradas de venda e entraves jurídicos — incluindo negociações suspensas com o grupo russo Acron em 2018.

A retomada ganhou força política nos últimos anos. Em visitas a Mato Grosso do Sul, a ministra Simone Tebet chegou a afirmar que a obra entraria em processo licitatório, mas reconheceu possíveis atrasos. “Licitação você sabe como começa, mas nunca sabe como termina”, afirmou na ocasião.

Com cerca de 80% das estruturas prontas, a expectativa é de que a retomada gere até 8 mil empregos diretos e indiretos e impulsione a economia de Três Lagoas e região.

Embora siga como prioridade da Petrobras no setor de fertilizantes, a UFN-3 só deve sair do papel em 2029 — um novo capítulo em uma obra que completa mais de uma década em espera.

Via Enfoque MS

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