Campo Grande

Cesta básica exige mais de 105 horas de trabalho em Campo Grande, aponta levantamento

Circuito MS

12:33 10/03/2026

Mesmo com leve queda nos preços em fevereiro, alimentos ainda consomem mais da metade da renda do salário mínimo

O trabalhador que recebe um salário mínimo em Campo Grande precisou dedicar praticamente metade do mês apenas para colocar comida na mesa em fevereiro. Mesmo com leve queda no preço dos alimentos, o custo da cesta básica ainda exige mais de quatro dias inteiros de trabalho para garantir os itens essenciais, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira (9).

De acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a cesta básica na Capital custou R$ 780,29 em fevereiro de 2026. O valor representa uma redução de 0,40% em relação a janeiro, quando o conjunto de alimentos foi comercializado por R$ 783,41.

Apesar da leve retração, o impacto no orçamento das famílias segue elevado. Considerando o salário mínimo vigente de R$ 1.621, o trabalhador precisou trabalhar 105 horas e 54 minutos — o equivalente a 4,4 dias de jornada — para adquirir os produtos básicos. No mês anterior, eram necessárias 106 horas e 19 minutos, mostrando estabilidade no indicador.

Na comparação com fevereiro de 2025, houve melhora mais perceptível: naquele período, o tempo necessário chegava a 112 horas e 10 minutos de trabalho, quando o salário mínimo era de R$ 1.518.

Comprometimento da renda ainda é alto

Mesmo com a pequena queda nos preços, a cesta básica comprometeu, em média, 52,04% da renda líquida do trabalhador, já descontada a contribuição previdenciária. Em janeiro, o percentual foi de 52,25%, enquanto em fevereiro do ano passado atingia 55,12%.

No acumulado de 12 meses, entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, o custo da cesta registrou alta de 0,82%. Já no ano de 2026, a variação foi de 0,57%.

O que ficou mais barato e mais caro

Entre os 13 produtos que compõem a cesta básica, nove apresentaram redução de preços entre janeiro e fevereiro. As principais quedas foram registradas em:

  • tomate (-9,23%);
  • batata (-5,12%);
  • óleo de soja (-3,65%);
  • leite integral (-3,40%);
  • banana (-3,10%);
  • açúcar cristal (-1,74%);
  • farinha de trigo (-1,35%);
  • manteiga (-1,31%);
  • café em pó (-0,02%).

Por outro lado, quatro itens tiveram aumento, com destaque para o feijão carioca, que subiu 22,05%. Também ficaram mais caros:

  • arroz agulhinha (3,48%);
  • pão francês (0,89%);
  • carne bovina de primeira (0,63%).

No acumulado dos últimos 12 meses, o café em pó lidera as altas, com avanço de 23,13%, seguido pelo feijão carioca (16,96%) e pão francês (6,30%).

Comparação nacional

No cenário brasileiro, o custo da cesta básica subiu em 14 capitais e caiu em outras 13 entre janeiro e fevereiro deste ano. As maiores altas foram registradas em Natal, João Pessoa e Recife.

São Paulo segue com a cesta mais cara do país, atingindo R$ 852,87, seguida pelo Rio de Janeiro (R$ 826,98), Florianópolis (R$ 797,53) e Cuiabá (R$ 793,77).

Com base no custo da capital paulista e na previsão constitucional de que o salário mínimo deve suprir as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas, o Dieese estima que o salário mínimo necessário em fevereiro deveria ser de R$ 7.164,94 — valor 4,42 vezes superior ao atual.

Tendência e impacto

Os dados indicam que, embora haja estabilidade recente nos preços em Campo Grande, o peso da alimentação básica continua elevado no orçamento dos trabalhadores. Pequenas oscilações nos alimentos essenciais seguem influenciando diretamente o poder de compra, especialmente entre famílias de menor renda, que destinam a maior parte dos ganhos à alimentação.

Via Enfoque MS

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