Entretenimento

Com objetivo de manter um equilíbrio entre serviço e entretenimento, “Fantástico” passa a ter Maju Coutinho como titular

Circuito MS

15:52 26/11/2021

A nova apresentadora mostra uma presença carismática e potente, ao mesmo tempo delicada.

A Globo bem que tenta fingir tranquilidade quando precisa fazer grandes alterações em sua grade.

A verdade, entretanto, é que a emissora está sempre testando nomes e formatos para não ser pega desprevenida. A saída de Tiago Leifert não só do “Big Brother Brasil”, mas da empresa, foi surpreendente.

Nome respeitado no mercado publicitário e cheio de carisma perante o público, o desfalque deixado por ele exigiu um corte mais profundo da emissora em um de seus programas mais clássicos, o dominical “Fantástico”.

Inicialmente, nomes como o recém-contratado Marcos Mion e a ex-“BBB” Ana Clara chegaram a ser “ventilados” pela emissora para assumir a disputa. Entretanto, pesou mesmo a experiência e a popularidade de Tadeu Schmidt, que foi transferido para o maior “reality show” do país.

No ar há quase 50 anos, e privilegiando duplas formadas por um homem e uma mulher em sua história recente, o “Fantástico” agora passa a ser liderado por Poliana Abritta e Maria Júlia Coutinho.

A última grande mudança no dominical foi em 2015, justamente quando Poliana assumiu o espaço deixado por Renata Vasconcellos, que foi escalada para o “Jornal Nacional”.

Depois de uma bem-sucedida passagem pelo “Jornal Hoje”, Maju já chega esbanjando diversidade e um público todo seu.

Em sintonia com uma postura mais contemporânea do jornalismo da Globo, ela sabe muito bem lidar com o espaço que conquistou dentro da empresa e na casa dos brasileiros, um estilo despojado e sem tantos vícios que combina muito mais com o esquema mais livre dos domingos do que com a bancada diária de um telejornal vespertino.

A chegada buscou equilibrar a conduta de Poliana, naturalmente mais engessada, com alguém um pouco mais extrovertida, para que o programa não ficasse protocolar demais.

Mas talvez a dose tenha sido alta demais, o que pode ser um problema para Poliana.

Maju Coutinho mostra uma presença carismática e potente, ao mesmo tempo delicada, que torna desnecessário o contraponto contido de Poloiana   que fazia sentido com o histriônico Schmidt.

Criado em 1973 por Boni, dirigido por Manoel Carlos e juntando uma grande equipe, o “Fantástico” vem resistindo ao tempo e períodos de altos e baixos.

O ano de 2021, aliás, é particularmente revelador para o programa.

Deixando alguns quadros mais bobos de lado e focando no entretenimento e nas grandes reportagens que lhe são peculiares, a produção vem retomando a relevância outrora enfraquecida e mantendo sua média no ibope em torno dos 20 pontos.

Sem um concorrente à altura nas outras emissoras, bastaram algumas decisões editoriais e estéticas mais robustas para trazer de volta o prestígio.

Amparado pelo inevitável caos da pandemia, o programa soube dosar bem a prestação de serviço e o tom de denúncia com a função de dar algum alívio ao final de um dia já tão baixo-astral. Infelizmente, a saída de Tadeu não leva junto os enfadonhos “cavalinhos” da editoria de esportes do “Fantástico”.

Agora sob o comando do eclético Alex Escobar, o quadro permanece mais do mesmo. Como tem seu público, acaba por não jogar contra o bom momento do dominical.

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