Polícia

Conselheiro do TCE, delegado de polícia, investigadores e empresários são alvos de operação contra milícia

Circuito MS

13:58 18/06/2020

Foto: André Abreu/Arquivo Pessoal

Justiça de Mato Grosso do Sul expediu mandando de prisão contra várias pessoas. Duas, apontadas como chefes, já eram presidiárias.

O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado e ex-deputado estadual, Jerson Domingos, foi preso na manhã desta quinta-feira (18), na terceira fase da operação Omertá, que investiga execuções em Mato Grosso do Sul. A Justiça expediu ao menos 18 mandados de prisão preventiva e dois de temporária. Entre os alvos, policiais e empresários.

Segundo o advogado André Borges, que defende Jerson Domingos, o conselheiro foi preso na fazenda dele, em Rio Negro. Ele chegou a sede do Garras em Campo Grande dirigindo a própria caminhonete e próximo a entrada parou o veículo, abaixou o vidro e bateu no celular de um fotógrafo que registrava a cena, dizendo que ele poderia fazer o “seu trabalho, mas sem encostar no veículo”.

O advogado de Domingos disse que conversaria com o cliente assim que ele chegasse no Garras, em Campo Grande, para se inteirar do caso. Disse que não sabia o motivo da prisão. O TCE informou que não irá comentar o caso.

Foi preso ainda o delegado de Polícia Civil Márcio Shiro Obara. Ele foi lotado na Delegacia Especializada de Repressão a Homicídios e atualmente estava na 2ª Delegacia, na capital. A delegada Regina Márcia Rodrigues, presidente da Associação dos Delegados de Polícia, informou que o jurídico da associação esta prestando assistência a Obara.

Também foram expedidos mandados de prisão contra Jamil Name e Jamil Name Filho, ambos já presidiários. Eles são apontados pela polícia como líderes da milícia. O advogado deles, Renê Siufi, disse que irá se pronunciar após se inteirar da operação.

Outros presos são: Cyntia Name e Benevides Pereira. Ela é sobrinha e funcionária de Jamil. Ele, trabalha para o empresário.

O advogado Eres Figueira, que defende Chyntia e Benevides, afirma que os dois eram apenas funcionários de Jamil Name e que as prisões foram equivocadas e precipitadas. A defesa deve ingressar ainda nesta quinta-feira com habeas corpus pedindo a revogação da prisão dos dois.

Entre os locais em que a ação foi realizada está uma residência de luxo em Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai, e a casa de um desembargador aposentado, na capital.

A casa de luxo na fronteira é de Fahd Jamil, já condenado criminalmente pela Justiça em anos anteriores. A polícia buscava por ele e pelo filho, Flávio Correia Jamil Georges, mas ambos teriam sido encontrados.

Também foi preso o policial federal Everaldo Assis. O advogado dele, Adriano Magno, falou que não estava sabendo da prisão e não tinha tido acesso ao teor das acusações.

Dois investigadores de Polícia Civil e um terceiro sargento da Polícia Militar, todos lotados em Campo Grande, estão na lista de investigados com mandados de prisão.

Operações

A primeira fase da operação Omertá foi deflagrada em setembro de 2019. A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e o Gaeco prenderam empresários, policiais e, na época, guardas municipais, investigados por execuções no estado.

Na segunda fase, em março de 2020, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apreendeu arma no apartamento do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e ex-deputado estadual, Jerson Domingos, em Campo Grande.

Execuções

A suspeita é que o grupo tenham executado pelo menos três pessoas na capital sul-mato-grossense, desde junho de 2018. Outras mortes também estão sendo investigadas.

A última morte atribuída ao grupo é do estudante de Direito Matheus Coutinho Xavier, de 19 anos. Ele foi atingido por tiros de fuzil no dia 9 de abril, quando manobrava o carro do pai, na frente de casa, para pegar o dele e buscar o irmão mais novo na escola.

Pouco mais de um mês depois, no dia 19 de maio de 2019, policiais do Garras e do Batalhão de Choque da Polícia Militar (BpChoque) apreenderam um arsenal com um guarda municipal, em uma casa no Jardim Monte Líbano. Foram apreendidos 18 fuzis de calibre 762 e 556, espingarda de calibre 12, carabina de calibre 22, além de 33 carregadores e quase 700 munições.

Segundo as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, esse arsenal pertencia ao grupo preso na operação Omertà.

Milícia

A chefia do grupo é atribuída pela polícia ao empresário Jamil Name, seguida do filho dele, Jamil Name Filho. Ambos e mais um policial suspeito de envolvimento na milícia estão presos desde a primeira fase da operação Omertá e estão no Presídio Federal de Mossoró.

Um suposto plano da milícia do jogo do bicho para matar um promotor de Justiça e um delegado que comandaram as investigações que desarticulou o grupo em Mato Grosso do Sul foi descoberto em um pedaço de papel higiênico em uma cela do presídio onde os três estão.

Via G1/MS

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