Em artigo à CNN Infra, Léo Oliveira explica como infraestrutura de data centers deve transformar o investimento em capacidade local no país
A chegada de um data center deve levar quem lidera empresas e políticas de desenvolvimento a pensar em como transformar esse investimento em oportunidades para as pessoas e os negócios da região.
Com a sanção do Redata, o Brasil reforça sua aposta na atração de data centers. Energia, conectividade e equipamentos estão no centro dessa agenda, mas a preparação das regiões para construir, operar e prestar serviços a esses empreendimentos também precisa fazer parte do planejamento. Quem vai transformar o investimento em capacidade local?
Como CEO de uma plataforma de IA, Executivo de RH e Líder, vejo três prioridades.
A primeira é preparar pessoas antes da inauguração, considerando que construção, operação e manutenção exigem competências diferentes. O plano de formação deve acompanhar o cronograma e prever os profissionais necessários na obra, na entrada em operação e nos anos seguintes. É preciso um planejamento rigoroso para estabelecer vagas temporárias, permanentes e explicar quais caminhos de qualificação permitem transitar entre essas etapas.
Empresas, escolas técnicas e universidades devem organizar essa preparação a partir das demandas concretas. As empresas devem sinalizar as competências e os prazos para que as instituições de ensino avaliem como preparar os profissionais com antecedência. Quem já trabalha também precisa encontrar caminhos para ampliar sua qualificação através de cursos, formações e trocas para se manter relevante.
Que oportunidade terá o jovem que mora perto desse investimento? Ele precisa saber quais profissões serão necessárias e encontrar condições para conciliar formação, deslocamento e renda. Os programas devem considerar essas questões para que as pessoas consigam frequentar o curso, concluir os estudos e disputar uma vaga.
A segunda prioridade é criar condições para que empresas brasileiras participem da cadeia de fornecedores desses projetos. Os empreendedores precisam informar quais serviços pretendem contratar na região e os requisitos técnicos e de segurança que serão exigidos, permitindo que empresas locais se preparem para disputar contratos.
Pense em uma empresa regional de manutenção elétrica interessada em atender um data center. Ela precisará conhecer as exigências da operação, qualificar profissionais e demonstrar que consegue cumprir os padrões do contratante. Um programa de desenvolvimento de fornecedores pode apoiar essa preparação, com critérios claros e sem garantia de contratação.
Essa conexão pode ampliar a competência de empresas locais e abrir mercados para seus serviços. Cabe aproximar universidades e empreendimentos para pesquisar soluções para a operação. O desenvolvimento que buscamos inclui conhecimento que permaneça na região e possa ser utilizado em outros negócios.
A terceira prioridade é trazer o RH e a liderança para o planejamento desde o início. Se a formação necessária leva mais tempo que o previsto para contratar, o projeto precisa reconhecer esse descompasso. Quem vai formar os gestores, organizar o trabalho e acompanhar os resultados? Essas decisões precisam estar presentes quando os investimentos e os prazos são definidos.
O RH pode contribuir com o diagnóstico de competências, a formação, os caminhos de carreira e se antecipar conhecendo o negócio. As lideranças precisam traduzir a estratégia em responsabilidades, recursos e condições de execução. Essa construção exige muita articulação entre operação, finanças e compras, instituições de ensino técnico e superior, governos, lideranças locais e movimentos sociais.
A articulação precisa ter responsáveis, prazos e compromissos claros. Governos podem coordenar ações de qualificação e acesso em parceria com instituições de ensino técnico e superior. Lideranças locais e movimentos sociais ajudam a identificar barreiras de transporte, renda e informação, enquanto as empresas devem explicitar suas demandas e os critérios de seleção. Essa pode ser uma chance de ampliar o emprego e desenvolver essas regiões, abrindo caminhos para as profissões do futuro.
O legado que devemos buscar inclui profissionais mais preparados e empresas locais mais capazes de inovar.
Quando os data centers estiverem operando, o que os brasileiros estarão mais preparados para fazer, criar e liderar?
Via CNN Brasil