Documentário aborda intolerância religiosa e o protagonismo feminino no Candomblé
18:18 24/05/2026

Candomblé por Elas ajuda a contar uma parte da nossa história que, por muito tempo, foi deixada de lado nas narrativas oficiais
Há saberes que não estão nos livros, mas sim guardados na memória, na fala e no coração de mulheres que carregam histórias passadas de geração em geração. É justamente esse universo que o documentário Candomblé por Elas vem mostrar, com um olhar poético e verdadeiro. As gravações já terminaram e o curta-metragem, de 25 minutos, agora entra na etapa de pós-produção, com lançamento marcado para setembro deste ano.
Com direção de Elis Regina Nogueira e roteiro de Ana Paula Araújo e Mari Saldanha, o filme é um convite para conhecer o Candomblé da nação Kétu sob a perspectiva de quem é a base, o alicerce e a alma dessa religião: as mulheres. Elas são as personagens centrais que conduzem o público por cada detalhe dessa tradição rica e cheia de significado.
“Na tela, vamos ver o jogo de búzios que abre caminhos, o poder das ervas e dos banhos que renovam as energias, a cozinha sagrada onde cada alimento tem um sentido, os cantos que contam histórias, as danças que celebram a vida e as vestimentas que são verdadeiras obras de arte e proteção espiritual”, conta Ana Paula Araújo.
Mas essa história vai muito além de apresentar rituais bonitos e cheios de ancestralidade. O documentário também acende um alerta importante: o de que, apesar de toda a sua importância para a cultura brasileira, o Candomblé e outras religiões de matriz africana ainda são alvo de muita desinformação, preconceito e intolerância religiosa. Muitas vezes tratadas com distorção ou invisibilidade, essas crenças carregam um peso histórico de discriminação que ainda precisa ser enfrentado e vencido.
“Este filme nasce do desejo de mostrar o Candomblé a partir da perspectiva de quem sustenta essa tradição no cotidiano: as mulheres. São elas que guardam conhecimentos, acolhem, orientam e mantêm viva uma herança ancestral que ajudou a formar a identidade cultural brasileira. Ao mesmo tempo, o documentário é um convite à reflexão sobre o respeito à diversidade religiosa e sobre a urgência de combater preconceitos que ainda persistem”, explicou a roteirista.
O protagonismo feminino aqui não é novidade: dentro dos terreiros, essas mulheres são líderes, mestras, mães e guardiãs de um saber que moldou parte da identidade do nosso país — e também de Mato Grosso do Sul. Ao dar espaço para essas vozes, Candomblé por Elas ajuda a contar uma parte da nossa história que, por muito tempo, foi deixada de lado nas narrativas oficiais. É também uma forma de reconhecer e celebrar a presença afro-brasileira que faz parte da formação de Campo Grande e de todo o estado.
Idealizado e apresentado pela produtora Vânia Jucá, o projeto foi viabilizado graças ao Edital nº 24/2024 — Fomento à Cultura Popular, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB). Quando ficar pronto, em setembro, o filme será mais do que uma exibição: será um ato de respeito, de visibilidade e de luta por um mundo onde toda fé, toda história e toda mulher possam existir e brilhar sem medo.
Via Enfoque MS





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