Campo Grande

Em 10 anos, MS teve quase R$ 22 bilhões em prejuízos por desastres naturais

Levantamento da Confederação Nacional dos Municípios mostrou que Campo Grande foi cidade do País com mais decretos

Estudo técnico feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) a respeito de danos e prejuízos causados por desastres naturais no Brasil, de janeiro de 2013 a janeiro de 2023, mostra que Mato Grosso do Sul registrou um prejuízo de R$ 21,929 bilhões em razão de desastres em geral no período.

Ao todo, o Brasil registrou R$ 401,3 bilhões em prejuízos. Só as chuvas causaram mais de R$ 79,3 bilhões em danos em todo o País, correspondendo a 19,7% do total de perdas causadas por desastres.

Em Mato Grosso do Sul, as chuvas foram responsáveis por R$ 5 bilhões em prejuízos. A maior parte dos danos financeiros, porém, foi ocasionada pela seca, o equivalente a R$ 15,938 bilhões.

Os longos períodos de estiagem foram responsáveis por 76,5% do total de prejuízos em função de desastres no Brasil, chegando ao montante de R$ 307,2 bilhões, valor que está diretamente relacionado à atividade do agronegócio, que sofre com períodos muito longos de seca.

Outro problema que também atingiu o Estado foi a seca do Rio Paraguai, um dos principais canais de escoamento da produção de minério de ferro, na região do Pantanal. A reportagem mostrou que, ao longo de 2020, 2021 e 2022, a navegação foi suspensa na região, o que obrigou as mineradoras a transportar as pesadas cargas pelas rodovias de MS.

DECRETOS

A pesquisa da CNM também trouxe outros dados, como a quantidade de decretos referentes a anormalidades no País nesse período.

Nesse recorte, Campo Grande aparece como a cidade com mais decretos. Os dados foram coletados das Coordenadorias Estaduais e Municipais de Proteção e Defesa Civil, bem como do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID) do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

Durante o período analisado, a Capital registrou 244 decretos de anormalidades recorrentes; Coronel Sapucaia, em Mato Grosso do Sul, e Miracema, no Rio de Janeiro, ocupam a segunda posição no gráfico, com 209 decretos.

Desse levantamento, a CNM informa que 132 decretos de anormalidades enviados por Campo Grande foram decorrentes das chuvas na Capital.

O período de estiagem também foi responsável pela realização de decretos, sendo 82 correspondentes à baixa umidade do ar.
Entre 2017 e 2022, foram 115 decretos relacionados à chuva, enquanto no restante dos anos foram notificados apenas 17.

Só no ano passado, o CNM notificou 30 decretos de situação de emergência em Campo Grande. Em 2021, foram 25, e em 2020 foram 22 decretos.

No entanto, de acordo com o major Pedro Centurião, da Defesa Civil do município, os dados da CNM não correspondem à realidade. Porém, a Defesa Civil não conseguiu enviar o relatório de decretos de emergência antes do fechamento desta matéria.

EMERGÊNCIA

O estado de emergência é decretado a partir de danos, que podem ser humanos, materiais e econômicos, causados por anormalidades como chuvas intensas, granizo em plantações, enchentes em áreas urbanas, deslizamentos, terremotos e outras situações de extremidades climáticas.

A partir do momento em que uma situação de anormalidade ocorre, o município se reúne com uma equipe técnica para analisar o desempenho e as demandas da região.

Segundo o major Pedro Centurião, da Defesa Civil de Campo Grande, “quando o município não consegue suprir as necessidades e enfrentá-las, as perdas são maiores do que os ganhos, é decretada situação de emergência”.

No entanto, é necessário também que a situação adversa se enquadre nos níveis estabelecidos pelo Sistema Nacional de Defesa Civil (Sindec).

Renan Arruda, da Defesa Civil do Estado, informou que os níveis vão de 1 a 4 e variam de acordo com a intensidade.
Arruda também relata que os principais motivos para decretos de emergência no Estado são chuvas intensas e estiagem, que ocorrem em épocas diferentes e perduram por meses.

Saiba: Outros desastres contabilizados – Outros tipos de desastres, como incêndios florestais, liberação de produtos químicos e tóxicos, geadas e ondas de calor, contabilizaram mais de R$ 14,6 bilhões de prejuízos em todo o Brasil, correspondendo a 3,6% do total de danos causados por desastres no País.

Mato Grosso do Sul teve R$ 986 milhões em prejuízos ocasionados por outros tipos de calamidade sem especificação. Para evitar essas situações, de janeiro de 2013 a janeiro de 2023, o governo federal autorizou R$ 8,2 bilhões de repasse aos municípios para a prevenção contra desastres naturais, e o Estado teve R$ 61.228.466 destinados a medidas da Defesa Civil.

 Via Correio do Estado MS
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