Campo Grande

Finalizada reforma de Unei que utilizou mão de obra de internos do semiaberto

Diante do péssimo estado de conservação da Unidade Educacional de Internação (Unei) Dom Bosco, na Capital, e da premente necessidade de melhorar o ambiente destinado à socioeducação, a Coordenadoria das Varas de Execução de Medidas Socioeducativas (Covems) estabeleceu parceria com a 2ª Vara de Execução Penal (VEP) para a reforma do local.
Assim, a revitalização começou em junho e foi finalizada essa semana, sendo realizada nos mesmos moldes do “Revitalizando a Educação com Liberdade”, proposta da 2ª VEP que utiliza mão de obra de reeducandos do regime semiaberto na Capital. A reforma resultou em condições adequadas para o cumprimento das medidas socioeducativas por  melhorar a estrutura precária de higiene, ventilação, umidade, entre outros.
De acordo com a Desa Elizabete Anache, que responde pela Coordenadoria das Varas de Execução de Medidas Socioeducativas (Covems), não havia instalações na Unei Dom Bosco que permitisse a cada adolescente internado cumprir a medida socioeducativa imposta com o mínimo de dignidade, de chances de se reinserir na sociedade, livre dos males que o levaram à internação.
“Assim, a importância da reforma é justamente tentar aproximar a Unei Dom Bosco de parâmetros mínimos que deem estrutura adequada para que o adolescente tenha condições de sair da internação com transformação para melhor”, afirmou ela.
Importante lembrar que o adolescente ao qual é aplicada medida socioeducativa de internação não deve ser posto em local assemelhado a um estabelecimento prisional e que a medida de internação, mesmo que represente a privação de liberdade do adolescente, não tem paralelo com a pena de prisão porque é regida por princípios próprios: primeiro pelo princípio socioeducativo e segundo por considerar que o adolescente em conflito com a lei tenha condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.
Outro ponto importante: na legislação nacional não há regras específicas em relação a estrutura física do estabelecimento de internação. O que se tem são algumas diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que podem dar um norte no sentido de que o atendimento tem que ser personalizado, pois as unidades devem ser pequenas e os grupos reduzidos.
Existem ainda regras internacionais, preceitos mínimos das nações unidas para proteção de jovens privados de liberdade que mencionam que a unidade de internação não deve se estruturar como uma prisão. Além disso, na socioeducação não há celas, além de outras diferenças, porque o objetivo é a reabilitação, respeitadas as necessidades do adolescente, estimulada sua reabilitação e oferecidas oportunidades de desenvolvimento com a participação em desportos, atividades educacionais, entre outras.
Entenda – Esta é a primeira Unei a ser reformada nos moldes do “Revitalizando a Educação com Liberdade”. Anteriormente, os detentos trabalharam em reforma de escolas estaduais e, desde a primeira obra, já foram investidos valores que ultrapassam R$ 3 milhões do dinheiro dos presos.
Não se pode esquecer que o recurso para a reforma é arrecadado com o desconto de 10% dos salários dos detentos que trabalham, gerando benefícios para os condenados a cumprir medidas socioeducativas, pois ficam em local adequado, e para o Estado, que administra as unidades de internação.
Na revitalização da Unei Dom Bosco trabalharam 25 internos do semiaberto e os recursos relativos ao transporte e pagamento da remuneração dos internos foram custeados por meio do convênio entre a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e o Conselho da Comunidade de Campo Grande.
O pagamento dos internos é administrado pelo Conselho da Comunidade de Campo Grande. São também parceiros do projeto o Ministério Público do Trabalho e o Senai, que oferece a formação gratuita dos presos no canteiro de obras. Os detentos que participam de todas as fases do projeto recebem três certificados: pedreiro de alvenaria, pedreiro de revestimento e pintor de obras.
A iniciativa inovadora do Tribunal de Justiça de MS tem o reconhecimento nacional e serve de exemplo de ressocialização pelo trabalho.
Via Asscom TJ MS
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