Polícia

Furtos crescem e moradores do Jockey Club protestam por falta de segurança

Circuito MS

9:41 25/04/2022

Em 2022, dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública apontam o registro de 5.592 furtos na Capital, 24,10% a mais do que no ano anterior

Conforme dados da Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública do Estado de Mato Grosso do Sul (Sejusp), nos últimos anos foram registrados aumentos significativos no número de furtos em Campo Grande. Em 2021, de 1º de janeiro a 19 de abril foram registrados na Capital 4.506 ocorrências de furtos, já em 2022, durante o mesmo período, o número de ocorrências foi de 5.592, um aumento de 24,10%.

Ainda no ano passado, na região do Anhanduizinho, onde o bairro Jockey Club fica, houve aumento de 28% neste tipo de crime se comparado com o ano de 2020.

Ao Correio do Estado, os moradores do Jockey Club, relataram indignação com a situação de insegurança, expressa inclusive, em cartazes pelo bairro. Segundo apurado pela reportagem, ser vítima de furtos se tornou uma realidade inevitável na região, uma vez que os criminosos invadem cada vez mais as residências, além das abordagens na rua à mão armada.

Revoltados com a situação, os moradores do bairro se juntaram para através dos cartazes chamarem a atenção dos órgãos responsáveis pela segurança pública.

Quem passa pelo local pode ver em todo bairro, faixas de manifesto com a seguinte frase nas cores vermelho e preto. “Bairro Jockey Club sofre com o aumento de furtos, roubos e descaso da segurança pública”.

Moradora há 13 anos do bairro, a cabeleireira e esteticista Rose Schirmann, 47 anos, relatou que o Jockey Club passa por sua pior fase. Segundo ela, desde crianças a idosos são alvo de criminosos que cuidam da rotina de todos esperando qualquer descuido para praticarem o roubo.

“Desde 2020 estamos enfrentando essa forte onda de crimes no bairro, é horrível, estamos com medo e tentamos por diversas vezes buscar ajuda. Mas parece que segurança pública é só um mito e não um direito de todos”, desabafou.

Ainda conforme a moradora, o aumento de furtos está ligado a migração dos usuários de drogas do centro da cidade que se direcionaram para a região do Anhanduizinho.

“Aquelas ações para tirar os usuários da antiga rodoviária, nos arredores da Morada dos Bais, sem conduzi-los para um lugar de tratamento, eles foram se espalhando, e acabam roubando nos bairros para manter o vício”, pontuou Schirmann.

INCIDÊNCIA

Rose esclareceu que os objetos furtados na maioria das vezes são fios de cobre, hidrômetros, celulares, correntes e dinheiro. No entanto, casas também são invadidas e quando isso acontece, os ladrões levam tudo, até tomadas.

Este foi o caso da residência dos pais da assessora técnica PCD do Ministério Público do Trabalho, Eliane Rodrigues de Souza, 54 anos. “Meus pais faleceram, e trancamos a casa deles para pensarmos e resolvermos o que iríamos fazer. Nisso, entraram na casa e levaram tudo, eletrodomésticos, móveis, objetos de recordação do meu pai que ficava guardado na dispensa, tudo que desse algum dinheiro eles levaram”, relatou.

Moradora do bairro há 25 anos, esse não foi o único roubo sofrido por Elaine. Segundo ela, em um ano, o crime ocorreu três vezes.

“Além dessa da casa dos meus pais, fui vítima outras duas vezes e se nada for feito, isso vai continuar acontecendo não só comigo, mas com todos. E sabe o que é pior, você procurar a polícia e eles te questionarem porque a casa estava  sem ninguém, como se a culpa fosse minha. A culpa é da falta de investimento na segurança”, enfatizou.

UNIÃO

Rose Schirmann relatou que com os primeiros manifestos feitos pelos moradores do bairro, uma equipe da guarda municipal foi encaminhada para o bairro durante uma semana.

“Só com a presença deles aqui, tivemos paz, sossego, como era antes. Mas isso durou só uma semana, e voltamos para a estaca zero, vivendo sem policiamento, sem batalhão aqui perto para buscarmos ajuda em uma situação de emergência, sem nada”.

Sem fiscalização e policiamento, a esteticista relatou que os moradores se uniram para se ajudar, com isso foi criado um grupo de Whatsapp, onde são trocadas informações a respeito de ações suspeitas.

“No nosso o grupo, avisamos uns aos outros sobre o movimento da rua. Se a casa de um está sendo invadida, damos apoio, oferecemos ajuda para vigiar, é assim que estamos nos virado enquanto nada é feito”, explicou Schirmann.

Via Correio do Estado MS

Comente esta notícia