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Grupo chinês promete retomada de projeto bilionário, mas já se desfez de parte do terreno

Prefeitura de Maracaju aponta que só agirá para pedir de volta os incentivos fiscais em 2022, caso retorno não se confirme.

O empreendimento bilionário que se arrasta desde 2015 em Maracaju promete ser retomado em 2022. A indústria de processamento de milho já foi desacreditada pela gestão pública e pela população da cidade.

O BBCA Group anunciou na época investimento de US$ 1,21 bilhão (convertido em mais de R$ 6 bilhões hoje) e geração de 1 mil empregos diretos e indiretos.

De acordo com a prefeitura do município há uma nova promessa de retomada do empreendimento para o próximo ano. “Temos a posição da empresa de retomada no início de 2022, caso não se concretize nossa posição é cumprir a lei. Está tudo na lei de incentivo do município e a retomada do terreno é uma das formas”, disse ao Correio do Estado o secretário de Governo de Maracaju, Frederico Fellini.

No entanto, conforme informado pelos moradores do entorno, o BBCA Group, grupo de investidores chineses, se desfez de parte do terreno que abrigaria a megaindústria.

O grupo adquiriu uma área de 272 hectares, para construção do que seria um complexo do segmento do agronegócio.

Dos 272 hectares, 170 foram comprados pela empresa BBCA e 102 hectares, doados pela prefeitura do município à empresa chinesa, na época das negociações.

Conforme já noticiado pelo Correio do Estado em agosto, dos 170 hectares, 50 teriam sido vendidos pelos chineses a outros moradores de Maracaju.

Ainda segundo fontes locais, a administração municipal teria investido em torno de R$ 7 milhões para viabilizar o megaprojeto chinês em Maracaju.

Isso, contando com a doação dos 102 hectares (avaliado em R$ 3,07 milhões na época) e com a construção de uma estrada de acesso aos armazéns da BBCA.

Projeto

Foram construídos dois armazéns graneleiros, barracões e um secador utilizado na secagem de grãos como soja e milho após a colheita. A estrutura que deveria abrigar a megaindústria foi alugada desde o ano passado.

Trabalhadores do município confirmam que desde 2020 os armazéns e barracão da bilionária chinesa foram locados pela Lar Cooperativa Agroindustrial.  Informação que também foi confirmada pela gestão estadual.

Questionada sobre o período de vigência do contrato, a cooperativa ressaltou que não se pronunciaria.

As tratativas do grupo chinês com as gestões estadual e municipal começaram ainda em 2013.

Em 2015 o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) formalizou a parceria do Estado com os investidores do BBCA Group, e o Banco de Desenvolvimento da China (China Development Bank – CDB), este último sendo o financiador da indústria esmagadora de grãos.

O governo do Estado, que era entusiasta do empreendimento, já desistiu de cobrar os empresários.

“Na minha avaliação eles devem ter errado muito na estratégia deles e eu não acredito que eles venham a ter o empreendimento que tinham sinalizado lá atrás. Eu não acredito que no curto prazo retomem aquela obra da BBCA. Se retomarem, que é o que eles estão sinalizando, vão retomar com um processo menor que eles planejavam”, disse o titular da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck.

A fábrica de Maracaju seria uma unidade industrial química a partir do processamento do milho e da cogeração de energia. Segundo informado em 2019 a primeira unidade consumiria US$ 100 milhões em investimentos.

O restante dos investimentos – superiores a US$ 1 bilhão – seriam aplicados na fabricação de produtos químicos voltados à indústria alimentícia e de embalagens.

A estimativa seria processar 1,2 milhão de toneladas de milho.

Via Correio do Estado

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