Novo documento de identidade apresenta baixo risco de fraude, aponta estudo
21:04 26/01/2025

Estudo foi feito pela empresa Serasa Experian para o g1
Um estudo que analisou 2,8 milhões de transações financeiras realizadas em outubro de 2024 com o uso da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) revelou que apenas 0,2% dessas operações apresentaram algum indício de fraude. O estudo foi feito pela empresa Serasa Experian para o g1.
A pesquisa mostrou ainda que o risco de o novo documento ser utilizado em golpes é de 0,08%, consideravelmente inferior às taxas de outros documentos, como o antigo RG e a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), cujo índice de fraudes gira em torno de 3,8%.
A nova Carteira de Identidade Nacional, que substituíra o RG até 2032, utiliza o CPF como número único de identificação em todo o país. Essa mudança elimina a possibilidade de uma pessoa possuir diferentes números de identidade ao emitir o documento em estados distintos, algo comum no modelo anterior.
Apesar dos avanços na segurança, policiais especializados em identificação apontam a necessidade de implementar um banco nacional de dados biométricos para reforçar ainda mais a confiabilidade do sistema (leia mais abaixo).
Principais tipos de fraude
O levantamento, conduzido pela Serasa, revelou que 38,68% dos indícios de fraude nas transações financeiras estavam relacionados à adulteração do documento. Outros tipos de fraude identificados incluem a sobreposição de foto pelo fraudador (8,9%) e o uso de documentos de terceiros, possivelmente roubados ou furtados (8,44%).
Os crimes envolvendo a CIN se dividem em duas modalidades principais:
- Adulteração de documentos verdadeiros: utilização de sobreposição de fotos, seja manualmente ou com o uso de Inteligência Artificial, para aproximar a imagem da identidade real do golpista.
- Montagem de documentos falsos: criação de documentos já com a foto do fraudador, mas com dados verídicos de outra pessoa, como nome, CPF e data de nascimento.
“Com a adulteração do documento, acontece o que chamamos de furto ou roubo de identidade, quando o golpista utiliza a tecnologia para assumir a identidade da vítima. Isso permite, por exemplo, que ele obtenha crédito em nome da pessoa lesada”, explica Caio Rocha, diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian.
Banco nacional de biometria: uma necessidade urgente
Embora a CIN tenha avançado ao unificar a numeração dos documentos, policiais alertam que a criação de um banco nacional de dados biométricos é essencial para evitar fraudes mais sofisticadas. Atualmente, cada estado possui seu próprio banco de dados biométricos, que não estão interligados.
“Com um banco nacional, seria possível identificar qualquer cidadão em qualquer estado e impedir que uma pessoa mal-intencionada emitisse mais de uma identidade com nomes e números diferentes”, afirma um delegado da Polícia Federal.
O governo federal ainda discute como estruturar esse banco de dados. Entre as opções, estão a criação de um banco único, centralizando os dados dos Institutos de Identificação estaduais, ou o uso de bases de dados privadas que já coletam impressões digitais de clientes — solução esta vista com ressalvas por especialistas.
Adesão crescente
Até dezembro de 2024, mais de 17 milhões de brasileiros já haviam solicitado a nova Carteira de Identidade Nacional. A implantação do documento é responsabilidade do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, que informou que a questão do banco nacional de biometria ainda está em discussão na Câmara-Executiva Federal de Identificação do Cidadão (CEFIC).
A nova CIN representa um marco na modernização dos documentos de identidade no Brasil, mas o avanço pleno na segurança depende de soluções nacionais mais integradas.
Via Enfoque MS





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