Tarifaço de Trump reduz exportações aos EUA em 18%; China absorve parte
8:18 07/10/2025

Após tarifaço americano, China aumentou em 21% importação de produtos brasileiros e quase dobrou compras de carne bovina
As exportações do Brasil para os Estados Unidos caíram 18,3% nos dois primeiros meses após Donald Trump aplicar tarifas de 50% sobre a importação de diversos produtos brasileiros.
A sobretaxa entrou em vigor no dia 6 de agosto.
Somando agosto e setembro de 2024, o Brasil exportou US$ 6,6 bilhões ao mercado americano, contra US$ 5,4 bilhões nos mesmos meses de 2025 – efeito direto do tarifaço.
Entre os principais produtos brasileiros afetados pelas tarifas, estão:
- Açúcares e melaços: queda de 82,35%
- Tabaco: queda de 76,60%
- Carne bovina: queda de 53,38%
- Café não torrado: queda de 11,30%
Outros produtos que não foram sobretaxados também registraram quedas expressivas, por questões de mercado e de demanda. É o caso do minério de ferro, que teve uma redução de 99% nas vendas aos Estados Unidos.
As exportações de celulose também caíram mais de 30% no período, produto que, assim como o ferro, não foi afetado pelas tarifas de Trump.
China absorve parte das vendas
As exportações para a China, por outro lado, registraram alta de 21% na soma de agosto e setembro. Foram US$ 17,8 bilhões em vendas aos chineses em 2025, ante US$ 14,7 bilhões no mesmo período de 2024.
No caso da carne bovina, um dos produtos mais afetados pelo tarifaço, as vendas a Pequim quase dobraram, passando de US$ 1,06 bilhão em 2024 para US$ 1,94 bilhão em 2025 nesse período.
A venda de café não torrado para a China – embora ainda pouco expressiva – teve um salto de 163%, chegando a US$ 45 milhões no período.
No caso da carne bovina, o México também ajudou a sustentar a balança do setor, com alta de 250% nas vendas nos dois meses.
Já no caso dos açúcares e melaços, países árabes e do Sudeste Asiático contribuíram para manter o desempenho do setor relativamente estável.
Diversificação de mercados
Quando a tarifa de 50% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entrou em vigor, o discurso sobre a necessidade de diversificar os destinos das exportações ganhou força tanto no setor privado quanto dentro do governo federal.
Empresários e autoridades argumentam que a diversificação já era um movimento necessário e planejado para todos os setores, mas que as tarifas anteciparam esse processo.
A intenção do Brasil não é substituir integralmente o mercado americano, algo considerado impossível devido à complexidade das cadeias produtivas e ao tamanho do mercado consumidor dos EUA, mas diversificar destinos para minimizar os impactos.
Esses mercados alternativos já vinham sendo mapeados antes mesmo do tarifaço de Donald Trump, o que facilitou o trabalho do governo, que já contava com um cardápio de opções quando a tarifa foi anunciada.
Via CNN Brasil





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