Avanço do biodiesel amplia demanda por soja e impulsiona agro em Mato Grosso do Sul
11:50 15/04/2026

Crescimento da mistura ao diesel reforça industrialização e pode gerar bilhões em investimentos no Estado
A ampliação do uso de biocombustíveis no Brasil tem fortalecido o papel do biodiesel na matriz energética e ampliado a conexão direta entre o campo e a indústria. Desde 2008, a mistura obrigatória ao diesel passou de 2% para 14% em 2024, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
Atualmente, cerca de 70% do biodiesel produzido no país tem como base o óleo de soja, conforme a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais. Esse cenário deve se intensificar na próxima década, com impactos diretos em Mato Grosso do Sul.
De acordo com estudo da Aprosoja MS, a demanda nacional por soja destinada ao biodiesel pode saltar de 43,2 milhões para 74 milhões de toneladas até 2035 — crescimento de aproximadamente 72%.
Para o analista econômico da entidade, Mateus Fernandes, esse avanço representa uma oportunidade estratégica. “O aumento do consumo de matéria-prima pode estimular investimentos em esmagamento, logística e armazenagem, além de ampliar alternativas de comercialização para os produtores”, afirma.
O setor projeta investimentos de cerca de R$ 52,5 bilhões em novas usinas e estruturas industriais. Mato Grosso do Sul, responsável por aproximadamente 8% da capacidade nacional de biodiesel, tende a atrair parte relevante desses recursos.
No Estado, a demanda por soja para biodiesel pode crescer de 3,45 milhões de toneladas em 2025 para 5,92 milhões em 2035. Esse aumento equivale, na prática, a uma nova safra regional dedicada exclusivamente ao setor energético.
Esse movimento ocorre em meio à expansão da produção nacional, que atingiu 9,07 milhões de metros cúbicos em 2024 e 9,84 milhões em 2025, conforme dados da ANP. A tendência é de continuidade, especialmente com a possibilidade de elevação da mistura obrigatória para 17% já em 2026.
Nesse cenário, o Brasil poderá demandar cerca de 14,6 bilhões de litros de biodiesel por ano, frente aos 12 bilhões atuais. Isso exigiria aproximadamente 52,4 milhões de toneladas de soja. Em Mato Grosso do Sul, a demanda poderia chegar a 4,19 milhões de toneladas.
Industrialização e novos desafios
O crescimento da demanda tende a acelerar a industrialização da soja dentro do próprio Estado. A capacidade de processamento deve avançar de 15,5 mil para 18 mil toneladas por dia, um aumento de cerca de 16%.
Com isso, parte do grão que hoje é exportado deve ser transformado localmente em óleo — usado no biodiesel — e farelo, destinado à ração animal. Esse processo fortalece cadeias como avicultura e suinocultura, ampliando o impacto econômico no agronegócio regional.
A expansão também deve refletir na área plantada, que pode passar de 1,08 milhão para 1,84 milhão de hectares até 2035. Atualmente, a produtividade média gira em torno de 53,4 sacas por hectare.
Por outro lado, o avanço do biodiesel traz desafios, principalmente na logística. Com maior processamento interno, diminui o envio de grãos in natura para exportação, mas aumenta a necessidade de transporte de derivados.
Como o biodiesel é produzido
Após a colheita, a soja é esmagada para extração do óleo vegetal. Em seguida, esse óleo passa por um processo químico chamado transesterificação, no qual reage com álcool — geralmente metanol — na presença de um catalisador. Dessa reação surgem o biodiesel e a glicerina, subproduto utilizado pelas indústrias química e farmacêutica.
O combustível passa por etapas de purificação antes de ser misturado ao diesel fóssil, conforme percentuais definidos por políticas públicas.
Com esse cenário, o biodiesel reposiciona a soja como insumo estratégico da matriz energética brasileira, abrindo espaço para um modelo mais industrializado e com maior geração de valor dentro de Mato Grosso do Sul.
Via Capital News





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