Plantas voluntárias podem competir por nutrientes e água, além de servir de abrigo para a cigarrinha-do-milho, alerta a Aprosoja/MS
O controle do milho tiguera nas lavouras de soja é uma das medidas importantes para preservar o potencial produtivo da cultura e reduzir os riscos fitossanitários para a segunda safra de milho em Mato Grosso do Sul. No sistema de produção que combina as duas culturas, as plantas voluntárias que nascem após a colheita precisam ser monitoradas desde o início do ciclo da oleaginosa.
Também conhecido como milho guacho ou voluntário, o milho tiguera surge de grãos e fragmentos de espigas que permanecem no solo após a colheita. Quando cresce em meio à soja, passa a disputar recursos essenciais, como água, nutrientes e luz solar.
De acordo com o analista técnico da Aprosoja/MS, Lucas Santana, o manejo ainda no desenvolvimento inicial da soja é fundamental para evitar a competição e contribuir para a quebra do ciclo da cigarrinha-do-milho.
“Na safra de soja 2026/2027, a incidência de milho tiguera nas lavouras de Mato Grosso do Sul varia de baixa a média em todo o Estado. Apesar desse cenário, o monitoramento e o controle das plantas voluntárias são fundamentais para evitar a competição com a soja e reduzir a permanência da cigarrinha-do-milho entre as safras”, explica.
O especialista alerta que as plantas voluntárias podem servir de abrigo, fonte de alimento e local de reprodução para o inseto. Quando uma cigarrinha infectada se alimenta de plantas de milho tiguera, os patógenos podem ser transmitidos. Insetos sadios também podem adquirir os agentes causadores de doenças ao se alimentarem dessas plantas, assim como as ninfas, dando origem a novos adultos infectantes.
Em lavouras de milho infectadas, as perdas de produtividade podem ultrapassar 70%, principalmente quando a contaminação ocorre nos estádios iniciais de desenvolvimento.
Como a cigarrinha completa seu ciclo exclusivamente em plantas de milho, eliminar as plantas voluntárias nas áreas de soja é uma estratégia para reduzir a população do inseto. A medida contribui para diminuir o potencial de perdas na cultura seguinte e a necessidade de aplicações de inseticidas.
Manejo da segunda safra começa agora
O controle do milho tiguera deve fazer parte de um planejamento integrado, iniciado ainda na colheita do milho anterior e mantido durante o estabelecimento da soja. A regulagem e a manutenção das colhedoras ajudam a reduzir a perda de grãos e espigas que podem dar origem às plantas voluntárias.
Depois da colheita, o monitoramento frequente permite identificar diferentes fluxos de emergência e controlar as plantas enquanto ainda estão pequenas.
No manejo químico, é necessário considerar a tecnologia utilizada no híbrido de milho cultivado anteriormente, pois algumas biotecnologias conferem tolerância a herbicidas como glifosato e glufosinato de amônio.
“A orientação técnica é que o produtor não espere a implantação da segunda safra para começar a se preocupar com o problema. As decisões tomadas agora, durante o desenvolvimento inicial da soja, ajudam a reduzir a competição na lavoura atual e a pressão da cigarrinha para o próximo cultivo de milho”, finaliza Lucas.
Via Capital News