[Via Campo Grande News]
A modernidade continua a trazer mudanças para o engraxate mais tradicional de Campo Grande. André Luiz Ferreira, 53, que fez história lustrando calçados dos figurões de Mato Grosso do Sul – ofício que realiza há 38 anos – agora pode ser “micro empresário”. Segundo o Prefeito Marquinhos Trad (PSD), ele vai para o Pátio Central.
Vai embora a tradição da ocupação desse ofício tradicional (não só no Brasil) pelas ruas do centro, e entra em jogo a imagem dos novos tempos: a burocratização, que não deixa ninguém de fora. Ao menos para André, saber que o ofício vai continuar, com uniforme e cadastro de pessoa jurídica, é um alento. “Bom”, disse ele, por mensagem de texto, na manhã desta sexta-feira (29).
A resolução do prefeito ocorreu depois que o Campo Grande News contou a história do engraxate, surdo, que aprendeu o ofício aos 14 anos e foi eternizado em imagem do fotógrafo Roberto Higa, ao lado do ex-prefeito Lúdio Coelho.
No final da década de 1980 engraxando os sapatos de Lúdio Coelho (Roberto Higa)
André, em seu ponto tradicional da Rua Barão do Rio Branco com a Rua 14 de Julho (Divulgação)Quase parte da estrutura física da cidade, André, como muitos que viveram a passagem dos anos pela simbólica região central, vê nesse cruzamento da Rua 14 de Julho com a Rua Barão do Rio Branco mais que um local de trabalho. É local de afeto, onde encontra amigos e faz representar, com orgulho, os surdos que vivem em Campo Grande.
Segundo a Prefeitura, além de André, mais 18 trabalhadores estão na mesma situação. “Informamos que os ‘engraxates’, assim como os demais ambulantes, já haviam sido informados anteriormente sobre o Artigo 5º da Lei 2.909, que institui o Código de Polícia Administrativa do Município de Campo Grande”, afirma o comunicado.