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Exportação de sorgo do Brasil ganha ritmo em agosto com impulso da China

Exportações brasileiras de sorgo, pelos negócios já realizados, deverão ser fortes também em setembro e outubro, disse o diretor no Brasil da Hang Tung

As exportações de sorgo do Brasil programadas para agosto somam pelo menos 400 mil toneladas, com a China abocanhando grande parte dos ​embarques, em um movimento que marca o início efetivo das vendas externas brasileiras ​desse cereal ao país asiático.

A chinesa Cofco é apontada como a principal exportadora de sorgo, um produto utilizado como matéria-prima da ração animal e na fabricação da bebida alcoólica baijiu, na China.

Após o Brasil conseguir habilitar exportadores para exportar sorgo à China ao final do ano passado, o país fez em janeiro sua primeira exportação desse grão aos chineses desde 2014 — mas em um volume de 25 toneladas, visto como um teste.

“Acredito que é um movimento contínuo depois que de fato o Brasil abriu a China…”, disse o diretor-geral no Brasil da trading chinesa Hang Tung, Gabriel Cordeiro, ao ⁠ser questionado pela Reuters sobre os volumes de sorgo na ​programação dos navios.

A China habilitou brasileiros — que já são seus principais fornecedores de produtos com soja e carne bovina — como ​uma alternativa aos Estados Unidos, cujas vendas de sorgo aos chineses caíram durante o período da guerra comercial em 2025.

A programação de embarques em ⁠agosto prevê seis navios com sorgo do Brasil, somando 407,7 mil ⁠toneladas, caso nenhuma operação fique para setembro na hipótese de algum contratempo, de acordo com dados da agência marítima ​Cargonave.

“O ‌mercado andou bem, acredito que (no ano a exportação do Brasil) fique entre 500 e 800 mil”, estimou Cordeiro, que trabalha para uma das maiores negociadoras ⁠de sorgo do mundo.

Mas o principal “player” citado no mercado nas exportações de sorgo do Brasil é a estatal Cofco.

Conforme relatório da Cargonave, dos seis embarques previstos em agosto, quatro deverão ser no terminal da Cofco em Santos.

Uma quinta operação com o cereal também é esperada em Santos, enquanto um navio afretado pela ‌Louis Dreyfus ⁠Commodities vai seguir a ‌partir do porto de Paranaguá (PR) com 70 mil toneladas do produto, ainda este mês, segundo a agência marítima.

Procuradas, Cofco e Dreyfus não comentaram o assunto imediatamente.

De acordo com a Cargonave, o navio Guo Yuan 26 será o primeiro a carregar sorgo em agosto, em operação envolvendo 68,3 mil toneladas. Ele tinha ⁠previsão de atracação no terminal da chinesa Cofco em Santos nesta quarta-feira, com saída ⁠no próximo sábado.

As exportações brasileiras de sorgo, pelos negócios já realizados, deverão ser fortes também em setembro e outubro, disse o diretor no Brasil da Hang Tung.

Mudança do mercado

Cordeiro considera ‌que as exportações de sorgo para a China deverão representar uma mudança importante para o mercado brasileiro, permitindo que produtores façam contratos antecipados de venda com as tradings, permitindo assim um melhor planejamento e crescimento da área plantada.

“Assim que os embarques chegarem lá na China e, dando tudo certo, muda a dinâmica. O Brasil começa a ter mercado com vendas futuras (antecipadas), o que não era tão comum”, disse Cordeiro.

As notícias sobre as ‌habilitações das exportações de sorgo brasileiro à China ajudaram no aumento do plantio do cereal em 2025/26, que cresceu mais de 30% no país, para 2,15 milhões de hectares, segundo dados da estatal Conab.

Mas o crescimento da indústria de etanol de grãos, que usa também o ⁠sorgo como matéria-prima, foi outro fator que impulsionou a cultura.

Com isso, a produção de sorgo — plantado geralmente na segunda safra no Brasil e mais tolerante que milho a déficits hídricos — deverá aumentar cerca de 25% em 2025/26, para 7,6 milhões de toneladas.

Cordeiro lembrou ainda que, com a forte demanda pelo sorgo, ​o cereal chegou a ser cotado momentaneamente em algumas praças a valores superiores ao milho.

“Ponto importante para ter dimensão de como foi grande a liquidez e ​a demanda pelo sorgo desse novo movimento da China.”

A exportação brasileira de sorgo, um produto menos tradicional do que a soja e o milho, historicamente é pequena no país, somando apenas 105 toneladas em 2025, segundo números do governo.

Na última década, o ano com maior exportação foi 2024, com 178,4 mil toneladas, com a África do Sul sendo a maior compradora naquele ano.

Via CNN Brasil

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