Organização investigada por tráfico de armas e drogas usava empresas de fachada e pessoas interpostas para ocultar dinheiro; três policiais civis foram afastados
Uma organização criminosa investigada por tráfico transnacional de drogas e armas de fogo movimentou cerca de R$ 500 milhões em recursos ilícitos ao longo de dois anos. O grupo utilizava Mato Grosso do Sul como porta de entrada para o mercado clandestino e contava, segundo as investigações, com o apoio de policiais para facilitar as atividades criminosas.
As informações foram divulgadas pela Receita Federal no contexto da Operação Ifrit. Conforme o órgão, a organização atuava desde 2018 e mantinha uma estrutura sofisticada de lavagem de dinheiro para ocultar os lucros obtidos com o comércio ilegal de entorpecentes e armamentos.
Empresas de fachada e pessoas interpostas
Operação Ifrit
De acordo com os auditores fiscais e analistas tributários da Receita Federal, o dinheiro de origem ilícita circulava por uma extensa rede bancária e patrimonial. Para esconder os verdadeiros beneficiários dos recursos, o grupo recorria a pessoas conhecidas como “laranjas”, que abriam contas bancárias e adquiriam veículos e outros bens.
A investigação também identificou empresas de fachada utilizadas para simular atividades comerciais. A estrutura incluía registros de faturamentos elevados e contratos comerciais supostamente forjados, com o objetivo de conferir aparência legal às movimentações milionárias.
Quebras de sigilo e bloqueio de bens
Operação Ifrit
O rastreamento do dinheiro foi possível após autorização da Justiça Federal para a quebra dos sigilos bancários, fiscais e telemáticos dos investigados e de operadores financeiros ligados ao esquema. O cruzamento das informações revelou diferenças entre a renda declarada pelos suspeitos e os valores movimentados.
A operação, realizada em conjunto pela Polícia Federal e pela Receita Federal, busca atingir o patrimônio da organização e interromper as atividades criminosas. Nesta quarta-feira (4), estão sendo cumpridos 26 mandados de prisão. Três policiais civis apontados como facilitadores do esquema foram afastados das funções.
Durante as ações, também foram apreendidos veículos, bens de luxo — entre eles um relógio Rolex — e quantias em dinheiro em reais e dólares. Contas bancárias vinculadas ao grupo foram bloqueadas.
Via Capital News