Ibovespa deve manter fôlego após brilhar no 1º tri, dizem especialistas
10:56 02/04/2026

Principal índice da bolsa brasileira supera pares emergentes e lidera ranking de rentabilidade entre janeiro e março
O Ibovespa driblou a guerra no Oriente Médio e, mesmo diante das incertezas em torno do conflito, teve o melhor desempenho do primeiro trimestre de 2026 entre os principais mercados globais, de acordo com levantamento da Elos Ayta.
O principal índice da bolsa brasileira teve uma rentabilidade, em dólares, de 22,65% entre janeiro e março, superando tanto pares emergentes, como Peru (16,64%) e Colômbia (11,35%), quanto o S&P 500 (-4,63%), em Wall Street, e o japonês Nikkei 225 (0,25%).
Analistas ouvidos pelo CNN Money explicam que o destaque do mercado doméstico é amparado em fatores distintos, desde o choque no preço do petróleo, que se mantém acima de US$ 100, até a ampliação de um movimento de rotação de carteiras já observado desde o início do ano.
Os especialistas apontam que o gás do Ibovespa tende a se manter nos próximos meses, alimentado sobretudo pela entrada de capital estrangeiro.
Peso do petróleo
Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, afirma que o peso do petróleo na balança comercial brasileira – a commodity foi o principal item das exportações em 2025 – como vetor para a alta do Ibovespa.
A disparada do preço do barril evitou a maior desvalorização do real ante o dólar – contribuindo para a alta do índice na divisa norte-americana -, ao mesmo tempo que valorizou petroleiras, setor com grande peso na bolsa brasileira.
“Estamos cada vez mais bem ranqueados como grande exportador de petróleo, estimamos que isso gere R$ 30 bilhões por ano, com o petróleo flutuando na casa de US$ 100”, explica o economista.
O câmbio brasileiro também foi beneficiado pelo carry trade, ou seja, o diferencial de juros domésticos ante outros países, sobretudo os Estados Unidos. Apesar da recente queda de 0,25 ponto na Selic pelo BC (Banco Central), a taxa básica segue no maior patamar em quase duas décadas, a 14,75% ao ano.
Leonardo Santana, sócio da casa de análise Top Gain, afirma que a autoridade monetária tende a manter os juros pressionados diante do cenário de conflito no Oriente Médio, reforçando a atratividade para o dinheiro estrangeiro.
“Vemos nosso câmbio caindo por causa dessa entrada de capital”, diz.
Rotação de carteira e Brasil descontado
Apesar do impulso dado pela tensão geopolítica, o bom desempenho do Ibovespa já chamava a atenção dos analistas desde o começo do ano, seja pelo grande volume de entrada do investidor estrangeiro, seja pela sequência de recordes que levaram o índice a superar os 190 mil pontos.
O analista de Internacional da EQI Research, Marink Martins, lembra que o começo do ano foi marcado por um movimento de rotação global de portfólio, que beneficiou países emergentes, como o Brasil.
“O dinheiro estava saindo dos Estados Unidos em busca de uma certa segurança em setores mais cíclicos, setores mais tradicionais. No começo do ano, foi mais ou menos uma vitória da velha economia.”
Saadia afirma que esse movimento se manteve em março, apesar da perda de fôlego, com a entrada de R$ 5 bilhões de capital estrangeiro na bolsa brasileira.
Via CNN Brasil





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