Bares e restaurantes têm quebra em janeiro após dezembro excelente, afirma presidente da Abrasel
19:58 27/01/2022

Volume é considerado o pior já visto para dono de restaurante; covid e inflação são as principais causas
Em ritmo de retomada, setor de bares e restaurantes têm escalada interrompida por queda nas vendas. Crescendo desde agosto do ano passado, setor relata boa movimentação em novembro e dezembro, mas queda preocupante em janeiro. .
De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Mato Grosso do Sul (Abrase-MS), Juliano Wertheimer, janeiro é historicamente um mês mais fraco. “Viemos de um novembro muito forte e um dezembro excelente, então é natural que o movimento caísse. Somado a isso, a nova onda da variante Ômicron deixa as pessoas preocupadas em sair de casa, mais receosas e esperamos que fevereiro também siga um pouco abaixo”, conjectura.
Para o resto do ano, o presidente da Abrasel estima que a retomada sentida a partir de agosto de 2021 será a tônica deste ano. “Estamos em um ano eleitoral, que naturalmente tem impacto menor se as condições forem mantidas, sem restrições muito severas, podemos ter um ano mais forte que o último”, pondera.
Outro ponto que pode atrapalhar é a alta da inflação sentida ao longo do último ano, que apertou forte no começo deste. Para a sequência do ano ainda há preocupações. “Estamos com medo de as pessoas, com o poder de compra defasado, não voltarem mesmo com a melhora [do cenário] da covid”.
Proprietário do restaurante Domus, André Nardo, vai na mesma linha. Assim como o dirigente da Abrasel, há otimismo da classe para os próximos meses. Entretanto, mesmo com um 2022 com boas perspectivas, o mês de janeiro para ele foi um “horror”. “O mês começou bem complicado, as pessoas que não estão em casa devido à covid, estão em casa com medo de pegar a covid”, sentencia.
Segundo ele, a retomada sentida de agosto a dezembro, representou um movimento muito bom. Mas a alta de preços corroeu parte do lucro e o resultado não foi tão bom. “Tem corte de carne que aumentou em 50% o preço ao longo do ano passado. Quando tira os custos, o lucro acaba não sendo tão alto”, explica.
O atendente Lucas Santos, trabalha em um restaurante localizado no Shopping Campo Grande, e afirma que a mudança de hábito de consumir de um mês para o outro é gritante. “Estamos muito parados o mês todo. Dezembro não conseguimos atender todos os clientes que apareciam lá. Costumávamos encher duas listas de espera porque o salão vivia lotado, agora temos dificuldade de atender alguém”, relata o jovem.
“Trabalho há pouco mais de oito meses, e conversando com outros colegas, janeiro sempre foi assim, mas o que eles dizem é que este ano está pior”, comenta.
Como Lucas trabalha em um ambiente em que vários restaurantes e bares estão localizados, o atendente percebe que o movimento está baixo para todos. “Um concorrente está dando 25% de desconto no cardápio inteiro, e eles têm uma qualidade muito boa, então o cenário está bem ruim”, conclui.
A percepção do jovem vai ao encontro do que diz André Nardo. Com vasta experiência no mercado de restaurantes, ele também considera esse o pior mês. “Jamais vi algo tão ruim”, decreta. Na virada do ano, depois de um período de férias coletivas, decidiu que suspenderia o funcionamento do Nardo Bar, estabelecimento adjacente ao Domus.
“Resolvemos não voltar até que a situação esteja mais confortável”, finaliza.
Via Correio do Estado MS





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