Mudanças na distribuição e avanço da concorrência pressionam ações das farmacêuticas e abrem oportunidades para fabricantes
A rápida expansão do mercado de canetas ajuda a sustentar o resultado positivo das principais redes de varejo farmacêutico do país. Ainda assim, há turbulências no mercado que fizeram investidores reavaliarem as perspectivas do setor.
Embora a demanda pelos medicamentos continue em alta, mudanças na cadeia de distribuição e o aumento da concorrência levantaram dúvidas sobre as perspectivas do setor, pressionando as ações das grandes redes de farmácia na B3.
De acordo com Thiago Godoy, educador financeiro e apresentador da Resenha do Dinheiro, a discussão já começou a ser precificada pelo mercado.
“Uma das questões que passou a mexer com a Bolsa foi a possibilidade de venda direta do fabricante ao consumidor. O mercado já reagiu a esse cenário. Se o fabricante passa a vender diretamente ao consumidor, há um potencial desequilíbrio, pois as redes farmacêuticas podem perder espaço”, explica Godoy.
Além da possibilidade de desintermediação, investidores também acompanham o avanço da concorrência nesse segmento.
A expectativa é que a chegada de novos fabricantes e, futuramente, de versões genéricas dos medicamentos aumente a competição e pressione preços, pressionando as margens de lucro das empresas do varejo farmacêutico.
A discussão vai além de um medicamento específico e representa uma possível mudança estrutural na cadeia de distribuição, avalia o apresentador.
“Hoje existe toda uma cadeia de distribuição, com as redes de farmácia atuando tanto nas lojas físicas quanto nas vendas online. Se o fabricante conseguir avançar na regulamentação e vender diretamente ao consumidor final, toda a estrutura desse mercado muda”, acrescenta.
Outra discussão que entrou no radar dos investidores é a possibilidade de os supermercados ampliarem sua participação na venda de medicamentos, pontua Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos. Caso mudanças regulatórias permitam esse avanço, o ambiente competitivo para as grandes redes poderá ficar ainda mais desafiador.
“As farmácias naturalmente não querem essa mudança, porque ela pode reduzir ainda mais o interesse dos investidores nas grandes redes. Os supermercados têm um poder de negociação muito forte com os fornecedores e isso pode se tornar uma grande pedra no sapato das farmacêuticas”, afirma Marilia.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.
Via CNN Brasil